BANANADA foto Alex Oliveira

“BANANADA – LACRIMAE” transforma luto em experiência coletiva no palco do Theatro José de Alencar

A partir da residência de criação facilitada por Marcelo Evelin (Teresina-PI), a apresentação gratuita acontece no dia 7 de maio, às 19h, com acesso gratuito

A abertura de processo da residência de criação do espetáculo “BANANADA – LACRIMAE” acontece no dia 7 de maio (quinta-feira), às 19h, no Palco Principal do Theatro José de Alencar. A obra apresenta uma instalação coreográfica que investiga a relação entre voz e movimento a partir da ideia de morte e ressurreição, inspirada na tradição das carpideiras e em rituais de luto coletivos. A apresentação tem entrada gratuita, com distribuição de senhas uma hora antes e capacidade limitada a 100 pessoas.

O projeto BANANADA é o terceiro espetáculo de uma trilogia iniciada com BATUCADA (2014), seguido de BARRICADA (2018). Essa série de peças tem como característica principal a ideia de anonimato e multidão, e são recriadas a cada vez com um grupo numeroso de artistas e não artistas locais considerando o contexto de cada lugar. Nas três peças a ideia de corpo político e democracia são abordados e colocados a prova por uma coletividade, configurando uma condição performática comum entre os intérpretes e o público, através de um ritual prescrito por movimento e sonoridade catártica. 

O projeto BANANADA contempla diferentes fases e ações específicas: A primeira ação chamou-se OPERANTIPODA (2025), e foi apresentada no Festival DDD no Porto com 8 intérpretes da plataforma demolition incorporada. Em 2026, darão continuidade ao projeto 16 intérpretes locais para a segunda ação do projeto, que se chama LACRIMAE, e começa a ser pesquisada e desenvolvida com os artistas participantes do PACAP do Fórum Dança em Lisboa.

BANANADA – LACRIMAE é a segunda parte dessa instalação coreográfica, dando continuidade a uma investigação em torno de voz e movimento, partindo da ideia de morte e ressurreição como dispositivo performático. Lacrimae rerum é um termo em latim, que significa “lágrima das coisas” e aparece pela primeira vez no poema “Eneida”, de Virgílio, no século III a.C.

Inspirado na tradição das carpideiras, fenômeno milenar praticado na Índia, Egito, Portugal e Nordeste do Brasil, como parte de uma tradição cultural recente. Carpideiras são mulheres pagas para velar um morto, usando cantos de lamento, gestos e expressões faciais para chorar um morto e assim amparar a família na catarse do luto. Essa prática é usada até hoje para celebrar a vida do morto e aumentar sua importância social, acreditando-se ainda que pode purificar as almas e trazê-las à sua plenitude em uma outra dimensão.

O projeto convida a Inquieta Cia, Teatro Máquina e No Barraco da Constância tem! em Fortaleza, para ativar essa instalação durante seis dias de residência anterior à abertura para o público. A instalação conta com um dispositivo criado com microfones de captação e reprodução alterada de sonoridades. A instalação mistura-se ao corpo revelando figuras e paisagens que são invocadas em um tempo largo e expandido, como o de um ritual fúnebre.

SERVIÇO
[DANÇA] “BANANADA – LACRIMAE”: Abertura de processo da residência de criação, com Marcelo Evelin (Teresina-PI) 
Data: dia 7 de maio (quinta-feira), às 19h
Local: Palco Principal do Theatro José de Alencar (Rua Liberato Barroso, 525, Centro)
Capacidade: 100 pessoas
Duração: 60min
Classificação indicativa: 16 anos
Gratuito – distribuição de senhas na bilheteria, 1h antes, por ordem de chegada

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