IV Festival Afrocearensidades: No Mês da Consciência Negra, a Afrotranstopia Coletividade (SP) chega a Fortaleza com atividades artísticas e formativas
Dia 20 de novembro, em duas sessões gratuitas (às 17h e 19h), o Palco Principal do Theatro José de Alencar recebe a Trilogia MOVIMENTO
A Afrotranstopia Coletividade chega a Fortaleza para integrar a programação do IV Festival Afrocearensidades, com uma série de atividades artísticas e formativas que reúnem dança, performance, audiovisual, reflexão e experimentação coletiva. O Festival é uma iniciativa conjunta da Secretaria da Igualdade Racial (Seir) e Secretária da Cultura do Ceará (Secult CE), em parceria com o Instituto Dragão do Mar (IDM) e Instituto Mirante de Cultura e Arte.
Vivenciada como pesquisa e prática artística, coreográfica, pedagógica, curatorial e comunitária, a Afrotranstopia tem uma investigação iniciada por Mario Lopes há mais de 20 anos. Sua atuação atravessa os eixos resistir, conflitar e regenerar, materializados na Trilogia MOVIMENTO e na metodologia Algoritmos Coreográficos.
No dia 20 de novembro, Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, o Palco Principal do Theatro José de Alencar irá receber em duas sessões gratuitas – 17h e 19h – o “Afrotranstopia – Movimentos Coreográficos”. Antes, nos dias 17 e 18, a Escola Porto Iracema das Artes (Praia de Iracema) irá receber o workshop “Afrotranstopia: Salivando e Gerando Espumas”, ministrado por Guinho Nascimento e Benjamin Abras.
Atualmente, organiza-se como coletividade, com um núcleo artístico formado por Mario Lopes, Verônica Santos e Guinho Nascimento, em relação com uma rede expandida de artistas, colaboradores, territórios e comunidades. Com base em São Paulo (SP) e na Casa FOAMS, em Itacaré (BA), articula diferentes modos de criação, transmissão e convivência para experimentar outros futuros no presente.
PROGRAMAÇÃO ARTÍSTICA | THEATRO JOSÉ DE ALENCAR
17h – Movimento I e II: Parado é Suspeito / Kodex Konflikt
A programação apresenta os dois primeiros trabalhos da Trilogia MOVIMENTO, em um estudo-pesquisa e obra coreográfica estruturada em dois atos.
Em Movimento I – Parado é Suspeito (2014), a pesquisa busca dar sonoridade ao corpo e corpo ao instrumento. A obra dá vazão às sonoridades do passado que continuam a ecoar no presente, explorando movimentos atravessados pelo compasso do comando, pelas palavras silenciadas que buscam se manifestar e pela capacidade de contar e recontar histórias.
Em Movimento II – Kodex Konflikt (2018), a investigação se volta aos impactos que diferentes contextos sociais produzem sobre os corpos. A obra aborda códigos de comportamento, processos de adaptação física e situações de confronto com um corpo percebido como estranho por sua linguagem, cor da pele ou modos de ser. Nesse contexto, são exploradas as estratégias de camuflagem e adaptação utilizadas por aqueles que são reconhecidos como estrangeiros diante das normas sociais.
19h – Movimento III: Celebration, Espumas Pós-Tsunami (2021) + Diálogos Abertos
O terceiro trabalho da Trilogia MOVIMENTO é uma criação coletiva e transdisciplinar que articula coreografia, cinematografia, dança, artes visuais, música, arquitetura e pensamento. A obra se desdobra em um longa-metragem de 1h16min, uma instalação imersiva e uma investigação sobre o conceito de Afrotranstopia.
O filme investiga a celebração em contextos marcados por conflitos e violência colonial, propondo reflexões sobre a possibilidade de celebrar sem negar a dor e a raiva. Como um corpo moldado pela hostilidade e pela marginalização pode celebrar? Que movimentos surgem quando diferentes corpos compartilham um mesmo espaço de celebração?
A obra aborda a complexidade das transformações sociais sem ignorar suas contradições, articulando violência, raiva, dor, deslocamento, repetição e deterioração do corpo. Esses elementos são compreendidos como tecnologias incorporadas, capazes de gerar novas consciências e memórias, além de processos de crítica e cura.
Ao relacionar os processos de colonialidade em escala global à deterioração ecológica, o trabalho propõe a recuperação de tecnologias fundamentadas em princípios de reciprocidade, sinergia, dignidade e justiça restaurativa.
Após a exibição, acontece o encontro Diálogos Abertos, uma conversa entre artistas da Afrotranstopia Coletividade e o público, com participação de Benjamin Abras, Guinho Nascimento e Mario Lopes. O encontro propõe um espaço de troca e reflexão sobre Afrotranstopia e temas que atravessam a pesquisa do coletivo, como identidade, resistência, tecnologia e transformação social, estimulando também a criação de redes colaborativas e de apoio mútuo.
ATIVIDADE FORMATIVA | ESCOLA PORTO IRACEMA DAS ARTES
Workshop – Afrotranstopia: Salivando e Gerando Espumas
O workshop é um espaço de compartilhamento de trajetórias, construção de aprendizados em comum e experimentação de possibilidades coletivas. O ponto de partida é a pesquisa conceitual Afrotranstopia, de Mario Lopes, que se desdobra em práticas corporais como Kodex-Konflikt e Salivar os Nós do Corpo, atravessadas pela materialidade e pelo movimento da espuma: maleável, flexível, porosa, sonora e em constante transformação.
Nas palavras de Mario Lopes: “Afrotranstopia é a intersecção entre tecnologias, existências e afrotranscendência. É uma tecnologia de reexistência coletiva, um antídoto ao grande vírus sindêmico que nomeio de PACACO-bi — Patriarcado, Capitalismo e Colonialismo dentro de um enquadramento binário. Se PACACO-bi se materializa como uma onda devastadora, Afrotranstopia é o contra-tsunami. Teorias indicam que só as ondas sonoras podem neutralizar um tsunami: o convite aqui é sermos juntos nessa onda sonora contra-hegemônica, reverberando no processo e diante do público que nos espera.”
A proposta prática é vivencial e reúne experimentos somáticos, coreográficos e coletivos. As atividades atravessam corpo, voz e presença, criando um espaço de cuidado, escuta e experimentação compartilhada.
Gerar espumas é também criar corpos em movimento que respiram leveza e resistência, que se espalham e se reconfiguram, abrindo espaço para outras formas de existência.
FICHA TÉCNICA | TRILOGIA MOVIMENTO
Movimento I e II – Parado é Suspeito / Kodex Konflikt
Direção: Mario Lopes
Performers: Benjamin Abras, Guinho Nascimento, Malu Avelar, Mario Lopes e Verônica Santos.
Músicos performers: Denilson Oliveira (bateria), Paola Kirst (voz), Paulo Monarco (guitarra), Jovem Palerosi (músico programador)
Iluminação: Maria Druck
Direção de palco: Welisson Foguinho
Figurino: Du Carmo
Produção: Alakoro Produções | Mariana Rocha e Joelma Souza
Movimento III – Celebration, Espumas Pós-Tsunami (2021)
Diálogos Abertos com os performers: Benjamin Abras, Guinho Nascimento, Malu Avelar, Mario Lopes e Verônica Santos.
SERVIÇO
[IV FESTIVAL AFROCEARENSIDADES] Afrotranstopia Coletividade (SP) apresenta: “Afrotranstopia – Movimentos Coreográficos”
Data: dia 20 de novembro de 2026 (sexta-feira), às 17h (Movimento I e II) e 19h (Movimento III + Diálogos Abertos)
Local: Palco Principal do Theatro José de Alencar (Rua Liberato Barroso, 525, Centro)
Capacidade: 695 lugares
Duração: 105min (Movimento I e II) | 120min (Movimento III + Diálogos Abertos)
Classificação indicativa: 12 anos (17h) | Livre (19h)
Acessibilidade no setor Plateia (térreo)
Gratuito – distribuição de senhas na bilheteria, 1h antes do início, por ordem de chegada
[WORKSHOP] “Afrotranstopia: Salivando e Gerando Espumas”
Data: dias 17 e 18 de novembro de 2026 (terça e quarta), das 17h às 21h
Local: Sala de Dança Willemara Barros/ Escola Porto Iracema das Artes (Rua Dragão do Mar, 160, Praia de Iracema)
Facilitadores: Guinho Nascimento e Benjamin Abras
Público: maiores de 18 anos, artistas do corpo em geral
Vagas: até 20 participantes
Gratuito – por ordem de chegada, sem necessidade de inscrição prévia
